99 anuncia investimento de R$ 2 bi no delivery 99Food e áreas de apoio

Quando Simeng Wang, diretor‑geral da 99 no Brasil revelou, na manhã de 15 de setembro de 2025, que a empresa está dobrando o aporte financeiro no serviço de entrega, o anúncio foi feito dentro do Palácio do Planalto, em Brasília, e contou também com a presença do Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República. O valor anunciado? R$ 2 bilhões, que serão investidos até 30 de junho de 2026, com R$ 50 milhões destinados exclusivamente à construção de pontos de apoio para entregadores em todas as capitais estaduais.

Contexto e histórico do 99Food

O 99Food começou como um projeto‑piloto em junho de 2025, na cidade de Goiânia, Goiás. Na época, mais de 20 mil restaurantes aderiram à plataforma, e cerca de 50 mil motociclistas se cadastraram como entregadores. Dois meses depois, em agosto, a operação se expandiu para a região metropolitana de São Paulo, trazendo um salto significativo no volume de pedidos. Em 8 de outubro, a 99Food desembarcou no Rio de Janeiro, acompanhada de um investimento de R$ 350 milhões que cobre a capital e sete municípios vizinhos.

Esses números, embora impressionantes, ainda representam apenas o começo da estratégia da controladora chinesa DiDi. Fundada em 2012, a DiDi já atua em mais de 20 países, mas o Brasil continua sendo um dos mercados mais promissores, segundo o Will Cheng, fundador e CEO da DiDi. O executivo afirmou que "poucos mercados combinam escala, inovação e oportunidade como o brasileiro".

Detalhes do investimento de R$ 2 bi

O aporte de R$ 2 bilhões replace o investimento inicial de R$ 1 bilhão anunciado em abril de 2025. Deste total, R$ 50 milhões serão alocados em 27 pontos de apoio ao longo de todas as capitais – locais equipados com sofás, cadeiras, água potável, banheiros e carregadores de telefone. Três unidades já funcionam em Goiânia, enquanto São Paulo e Rio de Janeiro negociam a abertura de suas primeiras estruturas.

Além da infraestrutura física, a empresa lançou um pacote de R$ 6 bilhões destinado a benefícios para os entregadores. Entre as propostas estão linhas de crédito, leasing de veículos e iniciativas de e‑mobility que incluem motocicletas elétricas fabricadas em parceria com uma fábrica chinesa especializada. "Não estamos apenas investindo em crescimento, mas em construir um ecossistema mais justo e inclusivo", acrescentou Will Cheng durante a coletiva.

Reações de motoristas e sindicatos

Reações de motoristas e sindicatos

Apesar do tom otimista dos executivos, coletivos de entregadores mantêm uma postura cética. Um representante não identificado afirmou que "as empresas chegam com grande investimento, mas depois começa tudo de novo, com as más condições de trabalho". A crítica se concentra no fato de que, embora os pontos de apoio sejam bem‑vindos, a remuneração dos motoristas ainda não acompanha o custo de vida nas grandes cidades.

Em entrevista à imprensa, a delegada dos entregadores de Rio de Janeiro ressaltou que a prioridade deveria ser o ajuste dos preços por entrega, para garantir "ganhos mais dignos". O discurso ecoa a estratégia interna da 99Food, que, segundo Simeng Wang, gira em torno de três pilares: preços mais justos, ganhos mais dignos e conveniência ampliada.

Impactos esperados e perspectivas de mercado

Analistas do setor estimam que o investimento poderá ampliar a participação da 99Food em cerca de 15% no mercado de delivery brasileiro nos próximos 18 meses. Se a meta de aumentar a presença em 15 cidades até dezembro de 2025 for cumprida, a empresa passará a operar em 20 cidades até 31 de janeiro de 2026, consolidando uma rede que atende mais de 700 mil motoristas cadastrados.

O potencial de transformação para uma "superapp" também foi destacado pelos executivos da DiDi. A ideia é integrar serviços de transporte, pagamentos e entregas em um único aplicativo, algo que já funciona em mercados asiáticos. Para o Brasil, o passo decisivo será a aceitação dos usuários e a capacidade de oferecer serviços complementares sem criar barreiras burocráticas.

Próximos passos e desafios

Próximos passos e desafios

Nos próximos meses, a 99Food focará na finalização das áreas de apoio nas capitais restantes e na negociação de acordos com prefeituras, como o já iniciado com a Prefeitura do Rio de Janeiro. O cronograma prevê que, até junho de 2026, todas as estruturas estejam operacionais e que a plataforma esteja presente em, pelo menos, 100 cidades brasileiras, parte de um plano de longo prazo que excede a meta de 20 cidades para o início de 2026.

Entretanto, o caminho não está livre de obstáculos. Questões regulatórias, a pressão por melhores condições de trabalho e a concorrência acirrada de outros players como iFood e Uber Eats podem desafiar a execução da estratégia. Resta saber se o investimento de R$ 2 bilhões será suficiente para mudar o paradigma do delivery no país ou se, mais uma vez, será apenas um impulso temporário.

  • Valor total do investimento: R$ 2 bilhões
  • Destinação para pontos de apoio: R$ 50 milhões
  • Pacote de benefícios para motoristas: R$ 6 bilhões
  • Meta de cidades atendidas até 31/01/2026: 20
  • Objetivo de longo prazo: presença em 100 cidades

Perguntas Frequentes

Como esse investimento afeta os entregadores de motocicleta?

Além dos R$ 50 milhões destinados a pontos de apoio, a 99Food vai disponibilizar um pacote de R$ 6 bilhões que inclui linhas de crédito, leasing de veículos e motos elétricas. A ideia é reduzir custos operacionais dos motoristas, embora ainda falte um ajuste nos valores pagos por entrega para garantir ganhos mais dignos.

Qual é o papel da DiDi nesse projeto?

A DiDi é a controladora global da 99 e fornece o capital e a expertise tecnológica. Will Cheng afirmou que o Brasil é o centro da estratégia internacional da empresa, sendo o principal mercado para testar a transformação em superapp.

Quando as áreas de apoio estarão disponíveis em todas as capitais?

O cronograma aponta para a conclusão até junho de 2026. Três unidades já operam em Goiânia; São Paulo e Rio de Janeiro deverão ter suas primeiras instalações até o final de 2025.

Quais são as críticas dos sindicatos de entregadores?

Os sindicatos argumentam que investimentos em infraestrutura não substituem a necessidade de remuneração justa. Eles temem que, após a fase de inauguração, as condições de trabalho voltem a se deteriorar, como já ocorreu em ciclos anteriores de expansão.

O que significa a transformação da 99Food em superapp?

Significa integrar ao aplicativo serviços de transporte, pagamentos, entrega de alimentos e até comércio eletrônico, oferecendo ao usuário uma única plataforma para diversas necessidades do dia a dia, modelo já testado com sucesso na Ásia.

(12) Comentários

  1. Paulo Víctor
    Paulo Víctor

    Vamo que vamo, galera! Essa grana de R$ 2 bi é uma baita oportunidade pra melhorar a vida dos entregadores, quem sabe até diminuir o stress do dia a dia. Com os pontos de apoio chegando nas capitais, dá pra descansar, recarregar o celular e ainda bater um papo com a galera. Se a 99Food realmente cumprir o que prometeu, a gente vai ver mais sorrisos nas ruas e entregas mais rápidas. Bora apoiar e ficar de olho nas novidades, porque esse movimento pode mudar o jogo pra todo mundo!

  2. Ana Beatriz Fonseca
    Ana Beatriz Fonseca

    A promessa de investimento parece mais um discurso retórico que mascara a continuidade de um modelo de precarização laboral. A lógica de “superapp” serve sobretudo à expansão de capital, enquanto os entregadores permanecem à margem da justiça econômica. Em vez de enxergar a iniciativa como solução, devemos questionar quem realmente lucra quando o preço da conveniência cai para o consumidor.

  3. Paulo Ricardo
    Paulo Ricardo

    Mais do mesmo, só marketing.

  4. Ramon da Silva
    Ramon da Silva

    De acordo com os números divulgados, os R$ 50 milhões destinados aos pontos de apoio serão distribuídos em 27 unidades nas capitais, equipadas com infraestrutura básica como água, banheiros e carregadores. Além disso, o pacote de R$ 6 bilhões contempla linhas de crédito, leasing de veículos e motos elétricas, o que pode reduzir significativamente os custos operacionais dos motoristas. É importante observar que a expansão para 20 cidades até janeiro de 2026 demanda negociação com prefeituras, e a presença em 100 cidades a longo prazo exigirá uma robusta integração tecnológica. As métricas de crescimento projetadas apontam para um aumento de cerca de 15 % na participação de mercado, o que reforça a necessidade de uma estratégia de retenção de entregadores para evitar alta rotatividade. Em resumo, o sucesso desse plano depende não apenas do aporte financeiro, mas também da capacidade da 99Food de alinhar seus incentivos com as demandas reais dos trabalhadores.

  5. Willian José Dias
    Willian José Dias

    Realmente, ao analisar o discurso, podemos perceber que, por trás de termos como “inovação” e “ecossistema mais justo”, há uma série de promessas que, invariavelmente, acabam sendo diluídas na prática; assim, fica evidente que o investimento, embora significativo em números, não garante, por si só, a transformação das condições de trabalho; portanto, é essencial que os entregadores acompanhem de perto a implementação dos pontos de apoio e cobrem transparência nas metas estabelecidas.

  6. Elisson Almeida
    Elisson Almeida

    Do ponto de vista regulatório, a alocação desses recursos precisa estar alinhada com as normas municipais de uso do solo e exigências de acessibilidade; além disso, a integração do leasing de veículos elétricos com a política de incentivos fiscais pode otimizar a taxa de adoção entre os motoristas, reduzindo a pegada de carbono e aumentando a eficiência operacional da rede. Reforço que a sustentabilidade financeira do modelo também depende da estrutura de tarifas por entrega, que deve ser revisada para garantir margens adequadas sem comprometer a competitividade.

  7. elias mello
    elias mello

    É intrigante observar como a 99Food pretende transformar o delivery em um superapp, conectando transporte, pagamentos e comércio em uma única interface; essa convergência reflete uma visão sistêmica onde cada ponto de contato gera valor adicional para o usuário e para o entregador 🚀. Ao considerar o impacto social, podemos argumentar que a inclusão de motos elétricas não só reduz emissões, mas também oferece aos motoristas uma alternativa mais durável e econômica.

  8. Consuela Pardini
    Consuela Pardini

    Claro, porque tudo que a gente precisa é de mais um app que promete o mundo e entrega em 30 minutos, né? Enquanto a gente luta para pagar o aluguel, eles falam de ecossistemas e superapps como se fosse coisa de ficção científica. É fácil ser otimista quando a realidade dos entregadores continua a mesma.

  9. Isa Santos
    Isa Santos

    O mercado de delivery está em constante mudança e o aporte da 99 pode mudar a balança a favor dela se conseguir realmente melhorar a remuneração dos motoristas. Mas é preciso analisar se o aumento de participação de 15 por cento será suficiente para sustentar a rede de 100 cidades planejada. A concorrência com iFood e Uber Eats ainda é forte e pode limitar o crescimento esperado.

  10. Michele Souza
    Michele Souza

    Vamos acompanhar de perto esses números, porque se a 99 conseguir equilibrar expansão e justiça com os entregadores, será um grande passo para melhorar o serviço e a vida de quem está na linha de frente. Fica a esperança de que as metas sejam alcançadas com transparência!

  11. Gabriela Lima
    Gabriela Lima

    É imprescindível que, ao se anunciar um investimento de R$ 2 bilhões, a empresa assuma uma postura ética que transcenda o mero discurso publicitário e se traduza em transformações concretas para os trabalhadores que sustentam todo o ecossistema de entregas. Primeiro, a remuneração dos entregadores deve ser revista de maneira a refletir não apenas o custo da gasolina ou da energia elétrica, mas também o valor do tempo despendido em cada entrega, garantindo um salário digno. Segundo, os pontos de apoio, embora bem‑recebidos, não podem ser somente estruturas físicas efêmeras; precisam integrar serviços de saúde, apoio psicológico e orientação financeira. Terceiro, a oferta de linhas de crédito e leasing de veículos deve ser acompanhada de claras políticas de inadimplência que não coloquem o entregador em situação de vulnerabilidade. Quarto, a empresa tem o dever de colaborar com as prefeituras para estabelecer normas que limitem a exploração de jornadas excessivas, protegendo o direito ao descanso. Além disso, a implantação de motos elétricas deve ser acompanhada de programas de treinamento e manutenção adequados, a fim de evitar que o trabalhador arcar com custos inesperados. Outro ponto crucial refere‑se à transparência nas métricas de desempenho, que deve ser divulgada regularmente para que os entregadores possam monitorar sua própria evolução e contestar possíveis injustiças. Também se faz necessária uma política de participação dos entregadores nas decisões estratégicas da empresa, permitindo que suas vozes sejam ouvidas nas instâncias de governança. Por fim, a responsabilidade social corporativa não pode ser tratada como um adendo, mas como um pilar fundamental que norteia todas as ações de expansão. Só assim será possível transformar um investimento financeiro em um verdadeiro avanço social, promovendo justiça e dignidade no trabalho de entrega. Em síntese, a 99Food tem diante de si uma oportunidade histórica que, se bem conduzida, poderá servir de modelo para todo o setor de logística urbana no país.

  12. Elida Chagas
    Elida Chagas

    Ah, claro, porque qualquer empresa vai colocar a dignidade dos entregadores acima dos lucros, né?

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